quinta-feira, 21 de maio de 2009

DESILUSÃO

DESILUSÃO Mãos sobre o rosto
Escondem,
disfarçam
Encobrem a alegria ausente
De quem finge não estar doente
Doente? Não!

Despedaçado
Se tudo fosse rasgado
Aí sim se esvairiam
Em cada pedaço
A dor do futuro que não veio

De tudo aquilo reservado
Hoje perdido
O agora é passado esquecido

Nada mais conta, foi em vão, e então?
Revela-te em teus traços apagados.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

POEMAS FERNANDO PESSOA



Tudo o que já não é,

A dor que já me não dói

,A antiga e errônea fé


O ontem que dor deixou,

O que deixou alegria

Só porque foi,

e voou

E hoje é já outro dia.

FERNANDO PESSOA

Ao Longe, ao Lua

domingo, 17 de maio de 2009

Fernando Pessoa


Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas ...

Que já têm a forma do nosso corpo ...

E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos

mesmos lugares ...

É o tempo da travessia ...

E se não ousarmos fazê-la ...

Teremos ficado ...

para sempre ...

À margem de nós mesmos...


sábado, 16 de maio de 2009

poemas de FERNANDO PESSOA


Enquanto não superar


mossa ânsia do amor sem limites,


não podemos crescer


emocionalmente.


Enquanto não atravessar



mossa dor de nossa própria solidão,


continuaremos


a nos buscar em outras metades.


Para viver a dois,


antes, énecessário ser um.


sexta-feira, 15 de maio de 2009

poemas de carlos drumont


As sem razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


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Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


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Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história
.


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Que pode uma criatura senão,
entre outras criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?


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Destruição

Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.



quinta-feira, 14 de maio de 2009

poemas de carlos drumond de andrade


Carlos Drummond de Andrade

Os ombros suportam o mundo


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.


Tempo de absoluta depuração.


Tempo em que não se diz mais: meu amor.


Porque o amor resultou inútil.


E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho,

a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão

de uma criança.

As guerras, as fomes,

as discussões dentro dos edifícios provam apenas que

a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

mario quintana


Fere de leve a frase...

E esquece...

Nada

Convém que se repita...

Só em linguagem amorosa agrada

A mesma coisa

cem mil vezes dita.


Mario Quintana

PROJETO DE PREFÁCIO


Sábias agudezas...

refinamentos...

- não!Nada disso encontrarás aqui.

Um poema não é para te distraíres

como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.

Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe

Um poema não é também quando paras no fim,

porque um verdadeiro poema continua sempre.

..Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte

não tem sentido:

é um pobre chocalho de palavras.



Mario Quintana

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